E de repente, estamos na Menopausa e junto com os filhos crescidos, com a chegada dos netos, com os fios de cabelo branco, aparecem também a dificuldade em perder peso, o desânimo, cansaço, a falta de energia, o humor depressivo, a ansiedade, a irritabilidade, a insônia, os déficits de atenção e concentração, a perda de memória, os pensamentos com conteúdo negativos ou morte, a anedonia (nome bonito dado para a perda do prazer ou interesse), diminuição da libido, a desesperança e labilidade emocional…

Penso que o ideal nesse momento seria que essas mulheres e outras que não executivas, mas com as mesmas sensações, fossem encorajadas a participar de atividades em grupo e/ou psicoterapia de apoio junto à especialistas em saúde mental. Esses sintomas de desconforto psíquico nessas mulheres na peri e pós- menopausa devem ser analisados cuidadosamente, porque a vida é um processo, onde se nasce, cresce, amadurece e morre.

Viver com consciência é descobrir que muitos problemas ou dificuldades não podem ser encarados como injustiça ou azar, depende de como levamos a vida, como nos relacionamos com a realidade. Diante das dificuldades aparecem as dúvidas e, a partir da dúvida, começamos a refletir sobre o que está por vir. Muitas mulheres sentem-se inseguras e com medo de mudar de atitude, pois procurar um novo caminho, que parece obscuro e indeterminado, é sempre amedrontador.

Por volta dos 40 anos podemos observar pequenas alterações de comportamento em algumas mulheres, como mudança de atitude ou aquisição de novos interesses ou ainda comportamento mais rígidos, como se sua existência estivesse ameaçada e daí a necessidade de enfatizar comportamentos anteriores.

Segundo Carl Gustav Jung, todos os distúrbios neuróticos, da idade adulta, têm em comum a dificuldade de desistir da fase anterior. A vida é um ciclo com momentos e necessidades diferentes. A dificuldade em deixar para trás nossa juventude e entrar na meia idade assusta. Muitos dos sonhos foram realizados; como, uma carreira de sucesso, filhos encaminhados na vida e a energia para novas realizações parece não existir. Outras também se sentem frustradas porque deixaram para trás muitos dos seus sonhos em função de filhos ou por não terem tido energia para realiza-los; de qualquer forma, há uma sensação de falta nessa mulher, ela sente como se sua vida agora não tivesse mais sentido.

Dependendo de como nos relacionamos com a realidade da vida, vamos enfrentar esse desconforto tendo a sensação de que tudo parece obscuro, sem sentido e/ou ameaçador. Nesse momento apesar de muitas se sentirem realizadas, não conseguem olhar para si mesmas e sentir seu próprio brilho, sua força, suas virtudes. Recolhem-se em si mesmas e tornam-se hipocondríacas, neuróticas ou eternas adolescentes.

Quantas mulheres se preparam para a segunda metade da vida, para o mistério dessa nova etapa, para a velhice, para a morte?!

De acordo com Jung, essa nova etapa deve ter um sentido. Observamos em geral que mulheres que tiveram consciência de que suas ações foram tomadas por necessidades ou vontade própria, sentem-se melhor nessa nova etapa, porque souberam fazer suas escolhas e se responsabilizaram por essas. Decidir superar cada limite que a dúvida cria não é tarefa fácil, é complexo porque o terreno é desconhecido e não temos parâmetros para nos guiar, falta o conhecimento suficiente sobre o que está por vir. O que pode ajudar será à vontade para continuar a caminhar, deixar o que vivenciamos para trás e procurar agir com uma nova atitude e clareza de que essa busca está dentro de nós e que a vida seja conquistada, como diz Jung, sempre e de novo.

O tratamento vai além de hormonioterapia ou antidepressivos. Nesse momento, o autoconhecimento facilita a passagem por mais essa etapa da vida. Ressignificar sua existência e procurar novos caminhos com novas atitudes e comportamentos, deixar de lado a vida que não foi vivida, tentar elaborar as perdas, o luto, tudo o que não pode ter sido realizado, poderá ser benéfico e reduzir essa sintomatologia.

Excerto do texto “Mulheres na transição da menopausa” – da médica, ginecologista e psicoterapeuta Junguiana, Ivone Ferreira. Contato: [email protected]

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