[…]O adulto está solitário, sem amigos, frustrado, via de regra não trabalha no que gosta, não tem tempo para dedicar educando o filho e compra, com facilidade, a sua amizade: paga, deixa e libera, tendo a ilusão de ter um amiguinho e deixando, em contrapartida, o filho órfão de pai vivo. Quem ganha com isso? Ninguém. A família perde, e quem paga as consequências é a sociedade, porque devemos ter a noção de que a criação de um filho irá impactar vidas.

[…] Em educação, tudo o que é difícil fazer será ainda mais difícil se não for feito; não tem como terceirizar ou delegar a educação, e a maior autoridade de um pai e uma mãe é o amor. Se o filho não sente que o pai o ama e nem que se importa consigo, a relação de confiança fica impossível de ser construída. Hoje não há quem esteja tão ocupado que não possa ir um minuto ao banheiro e enviar uma mensagem. “Filha, boa sorte no balé, estou torcendo” ou “Filho, estou te ligando porque hoje você tem um jogo e pode ter certeza que estou aqui na reunião, mas meu coração está aí.” “Ah, mas meu filho está dormindo!” Acorde-o! É até melhor que ele perca uma hora de sono e ganhe o abraço dos pais. Acorde meia hora mais cedo e tome o café da manhã junto ao filho. É necessário construir laços; sem laços a vida vira um nó.

Excerto de uma fala do psicoterapeuta Leo Fraiman ao programa Todo Seu. Assista a entrevista na íntegra no vídeo abaixo.

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