“Se fosse o contrário, eu nem teria direito a fiança”, diz a mãe de Miguel Otávio

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A empregada doméstica Mirtes Renata de Souza, mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva que caiu do 9º andar de um prédio do Recife (PE), reclamou que a patroa, suspeita de homicídio culposo, foi solta após pagar fiança. As informações são programa Encontro com Fátima Bernardes, onde Mirtes deu uma entrevista, na manhã desta sexta-feira, 05/06.

“Espero que a Justiça seja feita, porque se fosse o contrário, eu acredito que nem teria direito a fiança. Foi uma vida que se foi, por falta de paciência para tirar dali de dentro. Deixar uma criança sozinha dentro de um elevador, isso não se faz. Uma criança que foi confiada a ela”, desabafou Mirtes.

A doméstica também reclamou que a patroa não tenha sido exposta publicamente. “Se fosse eu, meu rosto estaria estampado, como já vi vários casos na televisão. Meu nome estaria estampado e meu rosto estaria em todas as mídias. Mas o dela não pode estar na mídia, não pode ser divulgado”, desabafou Mirtes.

A Polícia Civil disse que não divulgou o nome da acusada por cumprir a Lei de Abuso de Autoridade. A mulher foi solta após pagar fiança de R$ 20 mil e vai responder pelo crime em liberdade.

No momento em que o mundo inteiro reflete sobre as feridas da escravidão, a assertiva de Mirtes de que se fosse o contrário: se fosse a empregada negra que tivesse apertado o botão do elevador para o filho de cinco anos da patroa, e este tivesse caído do nono andar e perdido a vida; ela não teria sequer direito à fiança, é muito provável.

Confira na íntegra a entrevista que Mirtes Renata concedeu á Fátima Bernardes:

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