O novo coronavírus (Covid-19) que surgiu em dezembro de 2019, na província de Wuhan, no centro da China,  chegou a mais de 188 países, em cinco continentes e já contaminou mais de 64 milhões de pessoas, vitimando mais de 1 milhão. No Brasil, as vitimas testadas, já passaram de 6 milhões. Dentre elas mais de 170 mil perderam suas vidas. Vidas que não são apenas estatísticas, não são apenas números, são – com certeza – amores de alguém, que poderiam estar vivos, pois a Covid-19 é uma doença prevenível e recuperável, cuja letalidade é apenas de apenas 2,7%. 

A pandemia não acabou, alerta os especialistas

Os pesquisadores do Imperial College London, da Queen Mary University e da Universidade de Oxford que realizaram o estudo alertam que o vírus pode saturar os sistemas de saúde mais avançados se não forem tomadas medidas para impedir a sua propagação. Os responsáveis pelos estudam fazem uma estimativa de que entre 50% e 80% da população mundial pode estar infectada com o novo coronavírus, ao mesmo tempo em que salientam que a maioria das pessoas se recupera, mesmo depois de sofrer sintomas graves. O tempo médio entre os primeiros sintomas e a morte de um paciente é de 18 dias, enquanto os pacientes que se recuperam levam em média 22,6 dias para receber alta.

Em um comentário publicado ao lado do estudo, o cientista da Universidade de Miami Shigui Ruan declarou que os índices de mortalidade podem variar ligeiramente entre os países. “Isso se deve a diferenças nas medidas de prevenção, controle e mitigação implementadas”, justificou o cientista, observando que os dados também são afetados pelo nível de preparação e acessibilidade aos serviços de saúde. A taxa de letalidade no Brasil, de acordo com o Ministério da saúde, é de 2,7%.

2ª onda ou não, o fato é que covid-19 cresce no Brasil, diz OMS

O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom, qualificou como “muito preocupante” o salto no número de novas infecções da covid-19 e mortes no Brasil. Em sua coletiva de imprensa em Genebra, ele ainda disse que o país terá de ser “muito sério” diante da nova situação e destacou como os novos casos dobraram em menos de um mês. Abandonando uma postura que se transformou em sua marca de evitar falar de países diretamente, Tedros fez questão de lançar seu alerta sobre a situação brasileira.

Tedros lembrou como, em seu momento mais crítico, o Brasil registrou 319 mil novos casos por semana. O número, segundo ele, foi um recorde. “A boa notícia é que o número estava em queda até a semana de 2 de novembro, quando 114 mil casos foram registrados no Brasil”, disse. “Foi um terço do que foi registrado quando atingiu o seu clímax”, destacou. Mas, segundo ele, os números voltaram a crescer de forma importante e, na semana de 26 de novembro, a taxa chegou a 218 mil casos por semana. “Os números mais uma vez dobraram”, alertou, insistindo que o período de expansão representou menos de um mês.

Ele também deixa claro sua preocupação em relação ao número de mortes. De acordo com ele, foram 2.538 mortes na semana do dia 2 de novembro. Agora, chega a 3.876 na semana do dia 26 de novembro. “Esse é um aumento significativo”, disse. “O Brasil terá de ser muito, muito sério”, insistiu. Ele admite que existem diferentes regionais e que a transmissão local precisa ser considerada. “Mas, de forma agregada, é muito preocupante”, completou. Instantes depois, ao responder uma pergunta sobre a situação mexicana e o fato de o presidente local não usar máscaras, Tedros voltou a lançar um alerta a todos os líderes que adotam tal postura. “Queremos que líderes sejam modelos”, pediu.

Saber que milhões se recuperaram não alivia a dor dos que choram por seus milhares

Sem testagem, os números com certeza são muito maiores que os registrados. Não falar sobre as realidades, não fará com que elas desexistam. Negar a existência das mortes não impede que elas aconteçam. A melhor maneira de evitar que aconteçam, é falando abertamente sobre o assunto, sem paixão, só com a razão.

Lamentamos que os negacionistas sejam capazes de tripudiar com a dor alheia. Ainda que milhares de pessoas morram todos os dias por n fatores, ainda que a morte seja o destino final de todos, não se deve apequenar a dor de pessoa alguma. Afinal, a partida de um ente querido, principalmente em situações como a de uma pandemia viral, é assustadora, é cinematográfica, é nunca acordar de um pesadelo, é conviver num vendaval de incertezas, sem um lampejo de esperança. Saber que milhões de pessoas se recuperaram da Covid-19 não alivia a dor dos que choram por milhares. Pelo contrário, deixa-os irradiados de grande tristeza e revolta, pois se milhões se recuperaram de uma doença cuja letalidade é de 2,7%, então não seria possível recuperar 97%? Sabemos o que está sendo feito, mas o que não está sendo feito?

A questão maior não é a doença em si

Ainda que o paciente consiga uma vaga na UTI, quanto tempo ele ficará lá até se recuperar e terá EPIs para tratá-lo até o fim?

Inicialmente vista como uma doença respiratória causadora de pneumonia, a covid-19 está se revelando bem mais complexa conforme se espalha pelo globo, diz o epidemiologista Paulo Lotufo, professor titular de Clínica Médica da Universidade de São Paulo (USP).

Nos países mais afetados pela pandemia, hospitais têm recebido cada vez mais pacientes com problemas cardíacos e renais causados pela doença. A explicação, diz Lotufo, pode estar na ação do vírus Sars-CoV-2 em receptores envolvidos no controle do sistema circulatório — o que estaria desencadeando infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) entre pacientes sem histórico de doenças cardiovasculares.

Sendo assim, o maior desafio é a consciência de o contagio da doença precisa ser contido, com a obediência das medidas de prevenção.

Se a Covid-19 é uma doença prevenível e curável por que tantos estão morrendo?

Sim, a Covid-19 é uma doença prevenível e recuperável. Prevenível porque se obedecermos o distanciamento, usarmos máscaras e lavarmos corretamente as mãos, temos grandes chances de não sermos contaminados. E recuperável porque milhares de pessoas infectadas, sintomáticas ou não, já estão curadas.

É quase inacreditável que um século depois da gripe espanhola, mesmo num mundo globalizado, a ignorância possa prejudicar tantas vidas. Ainda bem, que ignorância não significa inocência. A história pode perdoar os erros cometidos pela falta de conhecimento, mas jamais perdoará a maldade deliberada, o egoísmo, a arrogância, o negacionismo dos fatos, e a supervalorização do capital em detrimento dos atingidos.

Não estamos no mesmo barco. O coronavírus não atinge a todos por igual. A falta de saneamento básico faz com que 35 milhões de brasileiros não tenham água tratada e 100 milhões não disponham de coleta de esgoto. O Brasil está entre os dez mais ricos do mundo e consegue estar no 175º lugar em desigualdade social. E justo quando a epidemia atinge os mais pobres, fábricas e governantes orientam a volta ao trabalho, fazendo do povo pobre, trampolim para garantir lucros, colocando em risco as suas vidas e as de suas famílias.

Todo esse grande mal e muitos outros poderiam ser evitados se:

  • Houvesse campanhas educativas de conscientização, acordadas entre todos os países;
  • Existissem políticas públicas que garantissem uma saúde pública de qualidade e mais hospitais com profissionais fossem tratados com dignidade e honra;
  • Exigissem que os multimilionários pagassem seus impostos; bastassem tirar as mordomias dos políticos, pois só o auxilio paletó daria para alimentar 17 mil famílias por 4 anos;
  • Exigissem que as famílias mais ricas do mundo, ‘devolvessem’ o usurpado dinheiro à explorada classe trabalhadora, gerando empregos com equidade e garantindo o sustento de suas famílias durante a pandemia.

Sobre os dados inseridos

Os dados contidos neste artigo, foram levantados pelo conjunto de veículos de comunicação Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL; consolidados a partir das secretarias estaduais de saúde, e inseridos no mapa da disseminação do coronavírus, que é atualizado duas vezes por dia, pela Universidade John Hopkins (Baltimore, EUA). O mapa traz informações sobre o número de infectados e mortos, separados por países. Você pode acessá-lo ao clicar aqui.

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