Caso Melhem: “É preciso se colocar no papel da vítima”, diz Claudio Manoel

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No final de 2019 surgiu os primeiros rumores associando o nome do humorista Marcius Melhem a episódios de assédio. Em dezembro, o portal UOL publicou uma nota afirmando que o ator e diretor, chefe do núcleo de humor da TV Globo na época, estava sendo acusado de assédio moral por uma série de atrizes da emissora.

Logo, apareceriam também denúncias de assédio sexual. Na última sexta-feira (4), a revista piauí divulgou uma extensa reportagem denunciando estes assédios. Segundo a reportagem, assinada pelo jornalista João Batista Jr., 43 pessoas foram ouvidas. Duas delas se dizem vítimas de assédio sexual, sete, de assédio moral; e três, dos dois tipos de assédio: moral e sexual.

“Escutei longamente as vítimas, eu escutei os seus relatos e o que eu posso dizer é que Marcius Melhem foi um chefe que instrumentalizou a sua posição hierárquica para coagir suas funcionárias, que tomou sim as atitudes de coração, de prejudicar a carreira delas, de se vingar quando era rejeitado, e de usar sua posição hierárquica pra assediá-las sexualmente. Ele chegou a ser violento em alguns episódios”, afirmou à CNN Mayra Cotta, advogada responsável por defender as vítimas.

“É preciso se colocar no papel da vítima”

O humorista e ex-Casseta & Planeta Claudio Manoel falou sobre as acusações de assédio moral e sexual que Marcius Melhem está enfrentando. Durante entrevista ao programa Rock a 3, da Kiss FM, Manoel disse que é preciso estar sempre ao lado da vítima e questionou o tamanho do poder que Melhem tinha dentro da TV Globo.

“A quantidade de relatos é muito grande. Então, fica muito difícil de você não crer que tudo isso é verdade. Apesar de não estar presente no local, é sempre preciso se colocar no papel da vítima. Eu acho engraçado o fato, por exemplo, vou falar de algo que aconteceu há 40 anos quando nós fizemos o TV Pirata, na TV Globo, aos cuidados de Chico Anysio. Na época, o Boni quis dar todo o controle ao gigante Chico e ele não aceitou”, revelou.

O poder absoluto é sempre algo muito perigoso

“É engraçado ver o Melhem com todo esse poder. Nem mesmo o Chico quis isso e ninguém foi mais genial que o Chico. Me estranha também, ao ler a reportagem, saber que muitas mulheres grandes dentro da emissora não falaram nada. Vi uma sororidade seletiva aí. Você precisa da sororidade de sua amiga nesse momento? Sim. Mas com toda certeza precisa, mais ainda, do apoio de sua chefe”, afirmou.

Segundo Cláudio, o que os dirigentes fizeram com os denunciantes foi uma tentativa de coação. “Muita gente pode não acreditar. Mas ninguém tem escrito na testa: ‘Sou abusador’. Tudo fica mais difícil quando o acusado é famoso e possui tamanha proteção. Tudo fica mais difícil quando se tem cara de fofo, né?”.

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