Cientistas desenvolvem espuma capaz absorver herbicidas dos alimentos

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Cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, desenvolveram uma espuma capaz de reconhecer e absorver herbicidas dos alimentos e da água. Tomate, morango, mamão papaia, goiaba, figo, uva, pera, pêssego, melão são algumas das frutas consideradas com alto nível de agrotóxicos.

A tal espuma é de poliuretano, um tipo de matéria plástica usada para criar esponjas, espumas isolantes térmicas e acústicas e até solados de calçados. A novidade foi criada a partir de resíduos da indústria petroquímica e componentes naturais, como o óleo de mamona. A combinação facilitou a interação de grupos químicos com os pesticidas e possibilitou a identificação dos agrotóxicos.

Os pesquisadores tinham a preocupação da espuma chegar a extrair os nutrientes dos alimentos, mas os testes comprovaram que o produto apenas retira os agrotóxicos sem prejudicar as propriedades nutricionais dos alimentos. “A eficiência é em torno de 90% da espuma com resíduo, e como resíduo puro chega a 95% da remoção do pesticida”, explicou Lena Braga, engenheira química e pós-doutoranda da UFMG, ao site do jornal O Tempo.

A boa notícia não ameniza os malefícios do uso indiscriminado de agrotóxicos

Pensando ainda em alimentação e meio ambiente, a discussão sobre a nossa saúde está em foco com os absurdos da “PL do Veneno”, Projeto de Lei 6299/02 que visa atualizar a lei dos agrotóxicos, de 1989, mudando o termo “agrotóxico” para “defensivo fitossanitário” – entre outras coisas que favorecem o agronegócio.

Um estudo realizado pela Universidade do Texas sugere que o glifosato possa afetar o microbioma intestinal das abelhas, deixando-as vulneráveis a infecções.  Em 2015, o Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer, ligado à Organização Mundial de Saúde, indicou que o glifosato teria um provável efeito cancerígeno em humanos, associada ao surgimento de câncer de mama e de próstata. E a cientista Stephanie Seneff, que já publicou mais de 170 artigos acadêmicos revisados ​​por pares, sugeriu que o glifosato é passado para criança pelo leite materno e ele pode ser o responsável pelo alto crescimento de crianças com autismo.

Diante de tudo isso, a Anvisa concluiu que é necessário uma reavaliação toxicológica do composto, para que ele possa continuar sendo vendido no Brasil. Antes da decisão final sobre o assunto, no entanto, a Anvisa está realizando uma consulta pública durante 90 dias, para que a sociedade possa se manifestar. Somente após esse período será definida uma nova regulação para o uso do glifosato. A substância está presente em 110 agrotóxicos comercializados no Brasil por 29 empresas diferentes.

Consulta pública sobre o glifosato

Antes de participar na consulta, é recomendado ler atentamente a proposta. Um documento informando sobre as possíveis alterações na regulação foi divulgado pela Anvisa.

Sugestões sobre o tema poderão ser enviadas ao órgão por meio de um formulário eletrônico, que pode ser acessado na área de consultas públicas do site da Agência. As contribuições recebidas ficarão disponíveis a qualquer interessado durante o processo de consulta. O prazo para manifestação é até o dia 6 de junho. Para participar da consulta pública, clique aqui.

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